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A PERCEPÇÃO DAS EMOÇÕES PELA ACUPUNTURA

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ARTIGOS DE OPINIÃO: A Percepção das Emoções pela Acupuntura

Por Luiz Cesarino Alves

Farmacêutico Pós-graduado em Acupuntura

     Você sofre de melancolia? Vive uma sensação de tristeza constante? Você se irrita facilmente? Pois saiba que as emoções quando vivenciadas de forma exacerbada, podem afetar o seu estado de saúde, levando ao adoecimento. O assunto é denominado na Acupuntura de Fatores Patogênicos Endógenos.

     Mesmo na antiguidade, nos primórdios da Acupuntura, os Chineses já consideravam diversos fatores como determinantes na causa e no agravamento de diversas doenças, dentre eles, os fatores emocionais, chamados de fatores endógenos ou internos, como o medo, a tristeza, a preocupação, a raiva, a tensão emocional e até mesmo a alegria em estado de euforia, pode levar o organismo a uma condição de doença.

    Conforme os conceitos da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) e consequentemente da Acupuntura, o processo de adoecimento é dividido em três fases de evolução. A fase inicial, denominada de (energética), passando pela fase (funcional) e finalizando na fase (orgânica). As emoções exacerbadas afetam inicialmente a fase energética e conforme a sua evolução, a fase funcional, etapas que antecedem ao adoecimento dos órgãos (período pré-patológico). Nas fases energética e funcional de adoecimento, as disfunções não podem ser detectadas por exames laboratoriais e nem por exames de imagem, mas é possível identificar disfunções através de sinais e sintomas de um pré-adoecimento, podendo ser tratadas por meio de diversas intervenções em saúde, dentre elas, a Acupuntura. As intervenções em saúde nas fases energética e funcional evitam a evolução para a fase final (orgânica), que é uma fase onde se instala a doença, necessitando de intervenções mais complexas em saúde.

  As emoções quando não vivenciadas de forma equilibrada, podem, conforme a duração e intensidade, provocar disfunções a nível energético, funcional e orgânico, podendo comprometer diversos órgãos internos. No caso da melancolia (tristeza permanente e profunda), é comum a pessoa apresentar sintomas como: fadiga, cansaço, voz fraca e respiração curta, pois a melancolia debilita a “energia dos pulmões”, e quando não tratada, pode se agravar, levando a um quadro de depressão e até mesmo o acometimento do próprio órgão pulmão. Já a preocupação, quando excessiva, causando aflição, inquietação e desassossego, pode debilitar o baço e o pâncreas. O Baço/Pâncreas na Medicina Tradicional Chinesa (MTC) estabelece uma correlação direta com a "energia do estômago", que, quando acometido pelo Baço/Pâncreas, pode provocar dores no próprio estômago e problemas digestivos. Caso a preocupação seja intensa e recorrente, pode levar a predisposição de problemas estomacais diversos.

   Com relação a raiva, você já observou uma pessoa ficar ruborizada quando acometida por um sentimento de raiva ou uma grande tensão emocional? Segundo os conceitos da MTC/Acupuntura, a raiva e a tensão emocional, fazem com que a "energia" Qi (leia-se "Tchi") suba repentinamente. Ocorre que o sangue acompanha o fluxo da “energia” Qi, promovendo um calor na parte superior do corpo, ocasionando assim o rubor facial. Esse aumento súbito de circulação de sangue na face e na cabeça, pode ocasionar um aumento da pressão nos vasos sanguíneos, podendo ocasionar até um rompimento de vasos, como o AVC - Acidente Vascular Cerebral.  Sentimentos acumulativos e episódios frequentes de raiva e tensão emocional, se não tratados ou evitados, além de problemas circulatórios, podem também com o tempo, se agravar e provocar disfunções hepáticas.

   Você já ouviu aquela frase popular “Fez xixi nas calças de tanto medo”? Pois é, o medo e o nervosismo provocado pelo temor, afeta a qualidade da “energia renal", provocando a inversão da “energia dos rins”, que, em vez de subir, decai. A queda da "energia renal" faz com que a pessoa perca o controle da micção. Estabelecendo uma correlação entre os conceitos da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) e da fisiologia ocidental, o medo pode debilitar os rins e consequentemente as funções a ele associadas, causando, nesse exemplo, o mau funcionamento do esfíncter, comprometendo a sua função de reter a urina, provocando um quadro de incontinência urinária.

    Referente à alegria, você sabia que esse sentimento vem do coração? Parece bastante óbvio não é? Já na antiguidade, a Medicina Tradicional Chinesa (MTC) atribuiu além dos aspectos fisiológicos associados ao coração, aspectos emocionais como a alegria. Entretanto, a alegria quando excessiva, manifestada em estado de euforia, pode prejudicar a “energia do coração”, causando problemas relacionados à má qualidade de sono, ansiedade, agitação mental e num estágio prolongado de euforia, disfunções associadas ao próprio órgão coração.

     Considerando que o nosso corpo é todo integrado, o aspecto físico com o emocional, é importante se ater as emoções intensas, pois elas afetam internamente a qualidade da nossa “energia”, comprometendo a nossa vitalidade e consequentemente a nossa saúde. É importante ter a percepção de cada emoção vivida, para experimenta-la e vivencia-la com consciência e de forma equilibrada, ou buscando mecanismos que possam auxiliar no equilíbrio das emoções, seja por meio de uma atividade física/corporal, através de terapias, medicamentos, ou até mesmo de hobbies que proporcionam prazer e descontração. Vivenciar as emoções de forma saudável e equilibrada é condição essencial para a promoção da saúde física e mental, para prevenção de várias doenças e consequentemente, para uma melhor qualidade de vida e equilíbrio emocional.

ALVES, L. C. C. A Percepção das Emoções pela Acupuntura: farmacêutico.com, 2020.

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