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DESAFIOS NA PRESCRIÇÃO DE ESSÊNCIAS FLORAIS

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Floralterapia

ARTIGOS DE OPINIÃO: Desafios na Prescrição de Essências Florais.
 

Por Luiz Cesarino Alves

Farmacêutico com Habilitação em Floralterapia e Pós-graduado em Acupuntura

   A terapia através de essências de flores silvestres conhecida por Floralterapia é atualmente utilizada em diversos Países. Após a criação dos remédios florais pelo Médico Edward Bach, centenas de outros sistemas de Floralterapia foram criados e desenvolvidos mundo afora para o tratamento de diversas doenças, principalmente as de origem psicossomática. Entretanto, mesmo com os resultados positivos de alguns sistemas florais, tais sistemas apresentam enormes desafios para o modelo de saúde vigente, quando se refere à elaboração de protocolos de prescrição em Floralterapia.

     A ausência de pesquisas clínicas robustas que comprovem a eficácia e segurança de diversos remédios florais e a adoção de conceitos místicos e

Farmacêutico Acupunturista

esotéricos utilizados em Floralterapia, inviabilizam a sua utilização na área da saúde, onde a tomada de decisão é baseada em evidências científicas. 

   Muitos conceitos utilizados em vários sistemas de Floralterapia desenvolvidos no Brasil, não possuem nenhum embasamento científico. Sistemas que adotam conceitos como: chakras, karma, vidas passadas, alma e aura, utilizam-se de critérios muito abstratos e subjetivos, baseados em princípios esotéricos, místicos e até religiosos, tornando inviável a sua aplicabilidade no processo de análise do mecanismo saúde-doença.

     Todos os profissionais que atuam na área clínica, com serviços de saúde, têm o compromisso e a obrigação de trabalhar conforme os preceitos da sua profissão e do seu código de ética, tendo a responsabilidade de elaborar um plano de cuidado baseado nas melhores evidências científicas, seguindo protocolos e diretrizes pré-estabelecidas por meio de pesquisas clínicas. Não cabe aos profissionais de saúde, com formação científico-acadêmica, se ater a conceitos místicos, religiosos ou esotéricos.

    A Floralterapia se apoia na teoria de que as flores possuem um “potencial energético” que corresponde a níveis de consciência, com possibilidade de tratar transtornos emocionais. Isso nos remete a necessidade de estabelecer no mínimo dois critérios de avaliação, a quantificação e a qualificação desse suposto “potencial energético”, algo que até o presente momento, não dispomos de tecnologia científica que permita realizar esse tipo de análise, restando apenas o caminho das pesquisas clínicas para confirmação da eficácia e segurança das essências florais.

   No campo das pesquisas clínicas, é possível encontrar estudos comparativos relacionando ansiedade com Floralterapia onde foi avaliado dois grupos de indivíduos ansiosos, sendo que um grupo recebeu essências florais e o outro, placebo. A essência floral utilizada neste estudo comparativo foi o Rescue, do sistema Bach, que é composto por cinco flores: Impatiens, Clematis, Star of Bethlehem, Cherry Plum e Rock Rose. Houve redução significativa da ansiedade somente nos indivíduos que apresentavam altos níveis de ansiedade (1). Em outra pesquisa, porém, investigando também o efeito do Rescue na ansiedade, não foi observada diferença significativa entre o grupo que utilizou o floral ou o placebo (2). Infelizmente, os resultados analisados de apenas poucas pesquisas de baixa qualidade metodológica em Floralterapia, são insuficientes para elaboração de protocolos clínicos de prescrição e tratamento, muito menos para elucidação do mecanismo de ação das essências florais.

 

     Referente à Floralterapia, diversos são os questionamentos, que até o presente momento, sem respostas, necessitam de elucidações para estabelecer os limites de atuação e do uso consciente e racional das essências florais. A Floralterapia é um campo de possibilidades que necessita obrigatoriamente ser investigada a luz da ciência, dentro de um modelo sem crendices ou abordagens místicas, no intuito de averiguar suas reais possibilidades na assistência à saúde. A elaboração de protocolos para conduta terapêutica nos tratamentos por meio da Floralterapia, ainda tem muito que avançar referente à adoção de critérios de avaliação clínica e prescrição, até alcançar o desenvolvimento de um sistema ideal, que seja realmente seguro e previsível no que tange o cuidado e a assistência integral à saúde.

ALVES, L. C. C. Desafios na Prescrição de Essências Florais: farmacêutico.com, 2020.

Referências Bibliográficas:

(1). Halberstein R, DeSantis L, Sirkian A, Padron-Fajardo V, Ojeda-Vaz M. Healing with Bach Flower Essences: testing a complementary therapy. Complement Health Pract Rev. 2007;1(12):3-14.


(2). Armstrong NC, Ernst E. A randomized, double-blind, placebo-controlled trial of a Bach Flower Remedy. Complement Ther Nurs Midwifery. 2001; 7(4): 215-21.