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FARMÁCIA NÃO É ESTABELECIMENTO DE DOENÇAS!

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Empurroterapia

ARTIGOS DE OPINIÃO: Farmácia não é Estabelecimento de Doenças!
 

Por Luiz Cesarino Alves

Farmacêutico Pós-graduado em Acupuntura

    A matéria exibida no programa Fantástico, da Rede Globo, na edição do dia 16 de maio, sobre a empurroterapia, que é a prática do balconista de farmácia empurrar medicamentos aos clientes só com a intenção de obter lucro, mostrou para a sociedade o lado triste e vergonhoso do comércio de medicamentos. A ganância e a exploração do mercado farmacêutico varejista seguem na contramão dos princípios norteadores da farmácia, dentre eles: o uso seguro e racional de medicamentos. A farmácia é um estabelecimento de saúde a disposição da população e não pode ser transformada num estabelecimento de doenças!

   No momento de fragilidade social que a população está vivendo, em função da crise sanitária causada pela pandemia (COVID-19), a prática da

Farmacêutico Acupunturista

empurroterapia, demonstra não só o lado ganancioso de algumas farmácias, como também o lado cruel e desumano da exploração da doença. O temor causado pela COVID-19, somado as propagandas enganosas de tratamento da doença, se transformou num “prato cheio” de oportunidades para as farmácias que enxergam no medo e na fragilidade humana, enormes possibilidades de lucro.

 

    Um agravante que a matéria do Fantástico não mostrou e que reforça a prática da empurroterapia é o lado da exploração de balconistas, que são forçados a atingir metas de venda e caso essas metas não sejam alcançadas, o profissional tem o seu emprego ameaçado correndo risco de demissão. A empurroterapia é só a ponta no “iceberg” da estrutura organizacional por traz do comércio abusivo de medicamentos na obtenção de lucros cada vez maiores.

    O medicamento não pode ser tratado como um produto de consumo qualquer. É necessário que o Poder Público, estabeleça regras mais rígidas, que possam coibir o comércio abusivo de medicamentos. Diferentemente do Brasil, onde o modelo de negócio das farmácias se apoia no comércio varejista, em alguns Países como, por exemplo, em Portugal, o modelo de negócio das farmácias está na prestação de serviços à população, sempre com a presença de no mínimo dois a três farmacêuticos na farmácia. Práticas como a empurroterapia demonstra a necessidade urgente de substituir o modelo de negócio das farmácias no Brasil, para um modelo sustentável de prestação de serviços, que atenda as necessidades de saúde da população e não no comercio varejista de produtos como é hoje. 

  Quanto às variações de preços que existem nos medicamentos Genéricos e de Referência, inicialmente é importante tecer um breve comentário de como nasce um medicamento Genérico. Só é possível produzir um medicamento na classe de Genérico, quando se encerra o período de patente do medicamento de Referência, conhecido como medicamento de marca, possibilitando que o medicamento seja produzido por outros laboratórios na categoria de Genérico. Quando um medicamento de Referência é lançado no mercado, enquanto perdurar a sua patente (período de exploração comercial), ele será um produto de maior valor, em função da sua exclusividade. Uma vez encerrado o período de patente, onde outros laboratórios passam a produzir e comercializar o mesmo medicamento como Genérico, é comum o laboratório que produz o medicamento de marca (Referência), abaixar o preço para concorrer com Genérico. Nem sempre o Genérico será o medicamento mais barato a disposição do consumidor. A obrigação de toda farmácia que trabalha dentro da ética e da moralidade, é dispensar (dispor ao consumidor) o medicamento de melhor custo beneficio que vai atender as necessidades do seu cliente e não aquele que garante a melhor margem de lucro. É importante que a população entenda que o medicamento Genérico é um bem e uma conquista da sociedade, não podendo ser associado à prática criminosa da empurroterapia.

   Diante dos abusos cometidos por algumas farmácias no mercado varejista, é necessário que o consumidor tenha muita atenção quando se dirigir a uma farmácia. E o primeiro fator a considerar é identificando se a farmácia tem farmacêutico. Numa farmácia, o farmacêutico é a autoridade técnica responsável para orientar o consumidor sobre os medicamentos que podem ser substituídos (intercambiáveis) sejam eles: Referência, Genérico ou Similar. Lamentavelmente, ainda existem muitas farmácias que não possuem farmacêutico presente em todos os horários de funcionamento. O cidadão precisa denunciar esse tipo de estabelecimento no Conselho Regional de Farmácia do seu estado e exigir a presença de farmacêutico em tempo integral na farmácia. Isso é um direito do consumidor! Fica aqui a dica: quando for à farmácia consulte sempre o farmacêutico. Será a sua melhor escolha!

ALVES, L. C. C. Farmácia não é Estabelecimento de Doenças!: farmacêutico.com, 2021.